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"Pessoas vão a Medjugorje em busca de uma realidade espiritual", diz visitador apostólico.
Postado em 03/09/2019, às 09:14:11
 
"É difícil explicar o que os atrai: não é algo tangível. As pessoas buscam uma realidade espiritual que conseguem encontrar aqui, em momentos de oração, adoração eucarística, a meditação na Palavra de Deus, o Sacramento da Confissão, que é típico em Medjugorje", disse na entrevista à Agência Sir o visitador apostólico, em caráter especial, para a Paróquia de Medjugorje, Dom Henryk Hoser.

A cada ano, milhares de fiéis vão a Medjugorje. Desde que o Papa Francisco autorizou, em maio/2019, peregrinações oficiais organizadas por dioceses e paróquias, o número de fiéis aumentou. O lugar situado nas colinas da Bórnia-Herzegovina atrai pela atmosfera de paz e espiritualidade. No verão deste ano, recebeu visitas, como a do Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Angelo De Donatis, mas também do presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização, o arcebispo Rino Fisichella.

"Um sinal do vínculo entre Medjugorje, a Igreja universal e a Santa Sé", explica à Agência Sir Dom Henryk Hoser, visitador apostólico de caráter especial para a paróquia. E, embora não tenha havido nenhuma notícia em particular, por parte das autoridades eclesiais, muitos passos foram dados na acolhida aos peregrinos, graças à missão de Mons. Hoser na localidade dos Bálcãs:

Dom Monser , o senhor já tem experiência de mais de um ano em Medjugorje. O que mudou nesse período? Quais são as suas impressões?

R. Esta é minha segunda missão em Medjugorje. Há dois anos, vim pela primeira vez para conhecer a situação e, há um ano, moro aqui como visitador apostólico, em caráter especial. Eu diria que não há mudanças espetaculares, mas mudou o desenvolvimento orgânico de Medjugorje como um fenômeno eclesial e pastoral. Meu trabalho é desenvolver o cuidado pastoral de Medjugorje e assegurar que os peregrinos recebam uma boa acolhida, não somente logística mas, sobretudo, espiritual. Trata-se de um desafio muito difícil, porque o número de peregrinos provenientes de todo o mundo é muito alto: eles têm necessidade de serem acompanhados na língua materna. Temos 16 cabines de tradução simultânea para liturgias e catequeses.

Existem estimativas sobre o número de pessoas que vão a Medjugorje todos os anos? O que os atrai?

R. O número certamente está crescendo. Para nós, o número é de cerca de três milhões de pessoas por ano, com o maior fluxo no verão, mas há peregrinos ao longo do ano. É difícil de explicar o que os atrai: não é algo tangível. As pessoas buscam uma realidade espiritual que conseguem encontrar aqui, em momentos de oração, adoração eucarística, a meditação na Palavra de Deus, o Sacramento da Confissão, que é típico em Medjugorje. A maior parte dos fiéis vem da Itália e da Polônia, mas também há muitos visitantes locais, da Bósnia-Herzegovina e da Croácia, dos Bálcãs. Essa atmosfera de paz e silêncio, de momentos com o Senhor os atrai. Estão vivenciando fortes experiências de fé: aproximam-se de Deus e muitos voltam trazendo seus amigos.

Excelência, o senhor mora ao lado da Igreja de São Tiago, confiada aos frades menores franciscanos. O senhor também possui poderes de ordinário. Como a paróquia é administrada e organizada?

R. A paróquia funciona graças ao esforço contínuo de muitas pessoas, que são, antes de tudo, dos presbíteros - em Medjugorje trabalham 13 sacerdotes franciscanos, que em casos de grandes grupos de peregrinos, contam com a presença de outros frades ou sacerdotes diocesanos da Diocese de Mostar-Duvno. Uma ajuda também vem dos sacerdotes que acompanham os vários grupos. O foco é nas confissões, mas também são feitos retiros. Medjugorje é famosa pelos retiros com jejum onde, por uma semana, as pessoas ficam apenas com pão e água. Temos um programa semanal muito rico: pela manhã, há Missas em vários idiomas e as catequeses, enquanto à tarde é recitado o Rosário e a Missa vespertina, com uma reflexão. Três vezes por semana há adoração ao Santíssimo Sacramento e, uma vez, a veneração da Cruz. Depois, há as duas colinas - Krizevac (montanha da Cruz), onde há uma cruz muito grande e as pessoas que sobem fazem a Via Sacra, e o Podbrdo, sobre a qual está uma imagem de Nossa Senhora e, na subida, encontram-se os Mistérios do Rosário.

A Bósnia-Herzegovina é um país martirizado sob muitos pontos de vista. Na sua opinião, um lugar como Medjugorje é um recurso para o país?

R. Sem dúvida, muitas pessoas conhecem a Bósnia-Herzegovina graças a Medjugorje, uma localidade famosa que influi de modo muito positivo na vida social, com o culto difundido a Maria, Rainha da Paz. Os Bálcãs viveram terríveis guerras fratricidas, com tantas vítimas e a recordação da guerra ainda está muito viva, de modo que a promoção da paz ensina aqueles que aqui vivem uma coexistência pacífica. No país, existem pessoas de diferentes etnias e religiões, de três grupos distintos: muçulmanos, ortodoxos e católicos. E Medjugorje propõe a todos esse apelo pela paz e a unidade nacional.

P. Qual é a situação atual de Medjugorje?

R. Nos últimos anos, o estado de Medjugorje não mudou. Eu recebi o mandato do Santo Padre e estou em contato regular com a Secretaria de Estado, à qual relato todas as atividades, a situação, o seu desdobramento. Até o momento, Medjugorje não possui um título de santuário mariano; há apenas a paróquia de Medjugorje que não é nem santuário nacional, nem diocesano. Este título ainda não foi atribuído a Medjugorje.

No último ano, foram intensificados os laços com a Igreja italiana. O senhor encontrou os bispos da Úmbria com o cardeal Bassetti, em Sarajevo; e, em 1º de agosto, em Medjugorje, chegou o cardeal De Donatis. É sinal de uma proximidade particular?

R. Sim, também os cardeais e bispos começaram a vir. Pela primeira vez, o (30º) Festival da Juventude foi inaugurado por um cardeal: neste caso, o cardeal De Donatis, vigário do Papa para a Cidade de Roma. E o evento foi concluído em 6 de agosto, por Dom  Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização. Estamos muito felizes com a presença desses pastores da Itália e de todo o mundo. É uma demonstração da ligação entre Medjugorje e a Igreja universal, mas também com a Santa Sé.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

 

 
 

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